receita

DAMURIDA - RORAIMA
GRAU DE DIFICULDADE:
Fácil
TEMPO DE PREPARO:
1 hora e 15 minutos
RENDIMENTO:
4 porções
CHEF:
Dona Kalu Brasil (Boa Vista, RR)
REGIÃO:
Roraima
TIPO DE PRATO:
peixes e frutos do mar
ingredientes

1 quilo de dourado
1 litro de tucupi
1 ½ litro de água
6 xícaras de chá de chicória cortada em chifonade (tiras bem finas)
1 quilo de tomate cortado em rodelas
400 gramas de cebola cortada em rodelas
2 xícaras de chá de cheiro verde
1 colher de chá de pimenta-de-cheiro picada
1 xícara de chá de suco de limão
2 colheres de sopa de tucupi negro
4 colheres de sopa de azeite
400 gramas de beiju de mandioca
1 colher de café das pimentas murupi, malagueta, olho de peixe, canaimé
Sal a gosto

modo de preparo

1 Lave o peixe com 500 ml de água e o suco de limão. Tempere com sal e reserve;
2 Coloque em uma panela o tucupi, o restante da água e metade da cebola, do tomate, da pimenta-de-cheiro, do cheiro verde e da chicória;
3 Ferva essa mistura por 30 minutos, e vá retirando com o auxílio de uma colher a espuma que irá se formar durante a fervura;
4 Coloque o peixe e deixe cozinhar por dez minutos;
5 Adicione o restante do tomate, da cebola, da pimenta-de-cheiro, do cheiro verde e da chicória. Corrija o sal;
6 Desligue o fogo e tampe a panela;
7 Finalize com o tucupi negro e sirva com o beiju de mandioca;
8 Faça um molho com as pimentas para ser servido à parte. Basta colocar todas as pimentas juntas em um recipiente, picadas ou maceradas, e misturar com o azeite e duas conchas do caldo do cozimento.

Dicas

- Pode-se usar uma panela convencional no lugar da panela de barro
- As pimentas são muito fortes e ardidas, por isso a sugestão do molho à parte. Tenha cautela no uso.
- Para dar mais sabor ao beiju de mandioca, você pode levar ao fogo duas colheres de sopa de manteiga e torrar um pouco o beiju. Coloque uma pitada de sal se julgar necessário

História

Caldo roraimense, damurida só pode ser  preparada em panela moldada por índios

 

No ateliê nos fundos de sua casa, em um bairro afastado de Boa Vista, em Roraima, a artesã Lídia Raposo, 54, índia da etnia Macuxi, molda barro para transformá-lo em panelas. É nelas que, seguindo a tradição indígena, se prepara a damurida, um caldo de pimentas com pedaços de peixe ou carnes de caça que é um dos símbolos desse Estado.
A comida e a panela são indissociáveis na tradição indígena. A damurida só pode ser preparada em um recipiente como a da artesã: de barro, feito pelas mãos de um índio. Ela explica: “O índio tem um respeito muito grande pela natureza. É por isso que, na hora de tirar o barro da mata, conversamos com a natureza e oferecemos algo em troca, como um pedaço de carne ou uma bebida. E gente que está doente ou de luto não pode tocar o barro”.
Segundo Raposo, que se divide entre a cidade e a aldeia Raposa Serra do Sol –uma das maiores terras indígenas brasileiras–, o prato é servido sempre que um índio roraimense recebe uma visita.
Apesar de ser um dos pratos mais tradicionais da culinária local, não se come a damurida em restaurantes. “É uma comida que a gente só encontra na casa das pessoas.”
O caldo é feito com tucupi preto obtido da redução do tucupi amarelo –o “suco” da mandioca–, pimentas variadas (como a malagueta, a murupi e a olho de peixe) e pedaços de peixe ou carne. O preparo é simples: basta colocar tudo em água fervente e servir em uma cuia.
Como guarnição, serve-se biju de tapioca, que pode ser mergulhado no caldo ou usado como colher para pescar os nacos de carne.
Há, além da tradicional, versões para paladares sensíveis a pimenta. É o caso da receita de Dona Kalu Brasil, que prepara uma damurida menos picante –meio índia, meio branca.
De ascendência indígena, da etnia Wapichana, e nordestina, a culinarista roraimense conta que a gastronomia do Estado é miscigenada como ela. “Temos referências dos povos de diferentes etnias indígenas e dos migrantes nordestinos e gaúchos que vieram para trabalhar em garimpos”, diz.

"Na hora de tirar o barro da mata, conversamos com a natureza e oferecemos algo em troca, como um pedaço de carne ou uma bebida"

Lídia Raposo
CONTATO tel. (95) 3627-1416, (95) 98122-6627, (95) 98804-0191, (95) 99114-1789
Dona Kalu Brasil
CONTATO tel. (95) 99112-8655, (95) 98115-5885

galeria de fotos

Lídia Raposo coloca o tucupi preto na receita da damurida. Foto: Rusty Marcellini

Lídia Raposo prepara a damurida. Foto: Rusty Marcellini

Panelas de barro feitas pela artesã Lídia Raposo. Foto: Rusty Marcellini

Versão miscigenada da damurida de Dona Kalu Ribeiro na panela de barro. Foto: Rusty Marcellini

Versão tradicional da damurida com pimentas em destaque. Foto: Rusty Marcellini

Folhas de cariru - ingrediente da damurida. Foto: Rusty Marcellini

Tucupi preto. Foto: Rusty Marcellini

Versão tradicional da damurida com peixe em destaque. Foto: Rusty Marcellini

Dona Kalu Brasil prepara sua versão da damurida. Foto: Rusty Marcellini