receita

GOIABADA - MINAS GERAIS
GRAU DE DIFICULDADE:
Fácil
TEMPO DE PREPARO:
duas horas
RENDIMENTO:
4 porções
CHEF:
Edu Tijolo (Doces Edu Tijolo, São Bartolomeu, Ouro Preto, MG)
REGIÃO:
Minas Gerais
TIPO DE PRATO:
doces
ingredientes

1 quilo de goiabas vermelhas e maduras
1 xícara de chá de açúcar refinado

modo de preparo

1 Lave as goiabas;
2 Corte as goiabas ao meio, retire toda a polpa e reserve;
3 Passe a polpa da goiaba em uma peneira até que sobrem somente as sementes;
4 Em um tacho de cobre, coloque a polpa, as cascas das goiabas e o açúcar;
5 Cozinhe em fogo médio, mexendo sempre, até que as cascas fiquem cozidas;
6 Espere esfriar e sirva.

Dicas

• Caso tenha um bom processador, você pode bater a polpa das goiabas e então peneirar. Mas não coloque água
• Uma panela convencional substitui o tacho de cobre
• Se quiser, você pode fazer uma versão sem açúcar, usando somente a fruta. Ou uma versão diet utilizando adoçante culinário de forno e fogão. A medida é a mesma: uma xícara de chá de adoçante. Nesse caso, o doce costuma ficar um pouco mais claro do que o feito com açúcar.

História

Em Ouro Preto, Edu Tijolo produz uma tonelada de doces ao mês

 

Entre goiabada e doce de leite, todo mês uma tonelada de doces deixa a cozinha de Eduardo Luiz Fortes, 42, o Edu Tijolo, em Ouro Preto. O doceiro herdou o ofício e o apelido do pai. “Ele tinha uma loja com a parede de tijolinho e o doce que vendia era igual ao tijolo. Os estudantes pediam sempre um tijolo de doce de leite”, conta Edu. “Um deles começou a chamar meu pai de tijolo e o apelido passou.”
Nascido e criado no distrito de São Bartolomeu, no interior de Minas, Tijolo tomou gosto pela profissão olhando o pai e começou a fazer doces sozinho aos 13 anos. Aos 15, já vendia seus quitutes por conta própria, para ter o próprio dinheiro.
Sua goiabada é feita com pouco açúcar e mais casca, o que deixa o doce com mais gosto de fruta. Para quatro quilos de goiaba, é um quilo de açúcar. “Hoje ninguém está podendo com muito açúcar. O pessoal usava a proporção de dois quilos de goiaba para um de açúcar. Tem que diminuir.”
Essa grande produção é feita numa área simples, construída aos fundos de sua casa há 12 anos. “Fiz esse lugarzinho aqui pra fazer doce. Chamei um pedreiro e ajudei a construir um lugar mais aconchegante”, conta.
A matéria-prima, com safra entre março e abril, vem, em sua maior parte, de um pomar próprio. O resto é comprado de parceiro –rica em frutas, a cidade tem entre os principais eventos do ano a Festa da Goiaba.
“A gente colhe a fruta, lava, separa, e começa a cortar no meio, limpando e tirando o miolo. Passa esse recheio em uma peneira e separa essa massa”, descreve. “Com o que sobra do caroço a gente faz geleia.”
Num tacho de cobre sobre um imenso fogão a lenha, as cascas e essa massa são levadas para o fogo. Em cerca de duas horas e meia, o doce está pronto. “Precisa só de goiaba, açúcar e carinho. Tem que gostar de fazer, mas não tem segredo nenhum.”
Só bastante trabalho: o doceiro ressalta que é preciso mexer o doce no tacho sem parar. O calor também é intenso. “Acho que não engordo por causa disso. Suo muito. É pesado”, brinca. Se errar a mão, o doce queima e escurece.
Quanto mais nova a goiaba, mais claro o doce. “Se eu também fizer a goiabada com pouco fogo, ela demora muito pra ficar pronta e fica escura.”
Lavar e esfregar bem o tacho também é fundamental. “Assim a gente tira o zinabre, que faz mal pras pessoas”, ressalta, referindo-se a um óxido de cobre que, em grandes quantidades, pode fazer mal à saúde.
Depois de pronta, é hora de embalar a goiabada. Se for vendida na versão cremosa, é colocada direto nos potes onde será vendida. Para a versão em barra, o doce fica mais tempo no tacho e é colocado em caixas de madeira, onde ganha forma. Depois de frio, é cortado.
Cada tacho rende por volta de 50 quilos de doce. A cada semana, são 250 quilos. Os doces são produzidos em um dia e distribuídos no outro. “Aí não preciso armazenar e o doce não fica velho. E quem experimenta, leva! Não enjoa, tem pouco açúcar.”
É o próprio doceiro que faz as entregas, viajando para Belo Horizonte e outras cidades próximas de Ouro Preto para fazer a distribuição. “Vivo de doce, não tenho outro ofício.”
Ofício que é destino. “Segundo a tradição, os moradores de São Bartolomeu têm o costume de jogar baralho. Diz que quando o menino nasce, joga o baralho na parede. Se grudar, é doceiro. Se cair, é jogador de baralho”, brinca.

"Precisa só de goiaba, açúcar e carinho. Tem que gostar de fazer, mas não tem segredo nenhum."

Doces Edu Tijolo
ONDE rua do Carmo, 44, São Bartolomeu, Ouro Preto, Minas Gerais, tel. (31) 3551-0930

Laticínios Irmãos Costa
ONDE Mercado Central, Loja 86, avenida Augusto de Lima, 744, Centro, Belo Horizonte, Minas Gerais, tel. (31) 3274-9545

galeria de fotos

Caixote com as cascas das goiabas - foto Leandro Miranda

Cascas de goiaba no tacho de cobre - foto Leandro Miranda

Edu Tijolo e as goiabadas em barra e de pote - foto Leandro Miranda

Edu Tijolo mexe o tacho para fazer a goiabada - foto Leandro Miranda

Goiabada cremosa no pote. Ao fundo goiabada em barra dentro da caixa - foto Leandro Miranda

Massa da goiaba misturada às cascas da fruta - foto Leandro Miranda

Preparo da goiabada no tacho - foto Leandro Miranda

Recheio da goiaba sendo peneirado para fazer a massa da goiaba - foto Leandro Miranda

Sementes da goiaba - foto Leandro Miranda