receita

PICADINHO DE CARNE DE TARTARUGA - AMAPÁ
GRAU DE DIFICULDADE:
Médio
TEMPO DE PREPARO:
1 hora
RENDIMENTO:
4 porções
CHEF:
Solange Batista (Café Aymoré, Macapá, AP)
REGIÃO:
Amapá
TIPO DE PRATO:
carne de tartaruga
ingredientes

Picadinho

400 gramas de filé ou carne sem osso de tartaruga
1 xícara de chá de cebola picada
1 xícara de chá de tomate picado sem semente
1 colher de sopa de alho picado
1 xícara de chá de cheiro verde
½ xícara de chá de chicória picada em chifonade (corte em tiras bem finas)
1 colher de café de pimenta-de-cheiro-amarela picada
1 colher de café de pimenta-de-cheiro-verde picada
½ xícara de chá de azeitonas verdes picadas
¼ de xícara de chá de pimentão vermelho picado
¼ de xícara de chá de pimentão amarelo picado
4 colheres de sopa de azeite
1 colher de café de açafrão
Sal a gosto

Farofa

1 colher de sopa de manteiga
1 xícara de chá de farinha d´agua
1 ovo cozido e picado
Sal a gosto

modo de preparo

Picadinho

1 Corte a carne em cubos pequenos e reserve;
2 Aqueça uma panela, coloque metade do azeite, refogue a cebola e o alho até dourar;
3 Acrescente o açafrão, os pimentões, o tomate, o cheiro verde, a azeitona, as pimentas;
4 Junte a carne ao refogado, coloque o sal e o restante do azeite. Cozinhe por 20 minutos. Coloque a chicória, mexa e desligue o fogo;

Farofa

1 Aqueça uma panela, coloque a manteiga e a farinha. Deixe que fique levemente dourada. Coloque o ovo e tempere com sal;
2 Sirva com o picadinho.

Dicas

• Além da farofa, o prato é servido com batata frita e arroz branco
• Por não ser de consumo habitual, a carne de tartaruga não é facilmente encontrada no mercado. Caso não a encontre, substitua por peixe cação.

História

Cultura ribeirinha de consumo de carne de tartaruga se mantém viva no Amapá

De cor rosada e sabor delicado, a carne de tartaruga é consumida pelos povos ribeirinhos do Amazonas desde os tempos em que o Brasil era colônia. Hoje, encontrar a iguaria é mais difícil: devido à criminalização da captura do animal, que tem espécies ameaçadas de extinção, durante décadas seu consumo foi proibido.
Nos anos 1990, porém, uma lei federal passou a permitir que tartarugas sejam criadas em cativeiros fiscalizados pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis) e vendidas para abate. É o caso do criatório de tartarugas-da-amazônia da comunidade de Mazagão, em Santana, a 20 quilômetros de Macapá.
“Um dos objetivos do Ibama ao incentivar o consumo de carne de tartaruga de criatório é manter viva a cultura dos ribeirinhos”, diz Lia Soares, administradora regional da instituição, que fiscaliza o local. “Mas temos um problema, que é a falta de matadouros legalizados no Amapá.”
Assim, não se encontra a carne de tartaruga para vender –só o animal vivo. Ou seja: quem quiser comer o animal tem que comprá-lo no criadouro e matá-lo e processá-lo por conta própria.

ATAQUE DAS TARTARUGAS

No criatório de Santana, sob os cuidados de Durval Martins, as tartarugas são mantidas em uma grande represa e comem ração. Os bichos têm patas e unhas grandes e uma mandíbula forte que pode ferir os desprevenidos com uma mordida.
“Elas são bem rápidas quando se sentem ameaçadas”, diz Martins. As tartarugas podem alcançar um metro de comprimento e mais de 70 quilos de peso.
Em frente à água, Martins lança uma rede e, com a ajuda de um colega, captura vários animais. Em seguida, escolhe o maior e o leva para um casebre. Lá, o bicho é lavado com um escovão e ganha um lacre do Ibama, que indica a legalidade do produto.
A quilômetros dali, numa avenida movimentada de Macapá, Solange e Morubixaba Batista se preparam na cozinha de casa para abater o animal que compraram do Mazagão.
Ele conta que aprendeu a processar a tartaruga com a mãe. “Quando era criança e morava no interior do Pará, minha mãe costumava receber encomendas de famílias que queriam servir tartaruga em dias de festa. E sempre sobra um pouquinho para a gente comer.”
Morubixaba é quem abate o animal e separa as carnes, enquanto Solange se encarrega de cozinhá-lo. “Para aproveitar a tartaruga inteira, é possível fazer três pratos: um picadinho com as carnes dos quartos dianteiros e traseiros, um guisado com as carnes que têm ossos e uma farofinha no casco com a gordura que desprende dele”, conta Solange. E acrescenta: a carne é deliciosa e demanda pouco tempero.
O casal já foi dono de um restaurante que contava com tartaruga no cardápio. “Infelizmente, a demanda era muito baixa”, lembra ele. Embora o consumo do animal seja permitido, o hábito de comê-lo vem diminuindo em Macapá. Apesar disso, o casal não excluiu totalmente a tartaruga do menu de seu estabelecimento. No Café Aymoré, ainda servem o animal –mas só sob encomenda.

“Um dos objetivos do Ibama ao incentivar o consumo de carne de tartaruga de criatório é manter viva a cultura dos ribeirinhos”

ONDE COMER
Café Aymoré
ONDE avenida Iracema Carvão Nunes, 92, Centro, Macapá, Amapá, tel. (96) 99119-8499
Prato com tartaruga apenas sob encomenda

ONDE COMPRAR
Fazenda Moenda da Serra
ONDE Arapaguaz, Goiás, com José Roberto Ferreira Alves, tel. (62) 3251-8572

galeria de fotos

Tartaruga-da-amazônia. Foto Rusty Marcellini

Durval Martins retira a tartaruga da rede. Foto Rusty Marcellini

Farofa no casco da tartaruga. Foto Rusty Marcellini

Guisado de tartaruga em destaque. Foto Rusty Marcellini

Lacre do IBAMA. Rusty Marcellini

Picadinho de tartaruga. Foto Rusty Marcellini

Rede sendo lançada na represa para a captura das tartarugas. Foto Rusty Marcellini

Solange Batista prepara o picadinho de tartaruga. Foto Rusty Marcellini

Morubixaba Batista segura uma tartaruga-da-amazônia. Foto Rusty Marcellini

Solange Batista prepara a farofa no casco da tartaruga. Foto Rusty Marcellini