receita

TORTA DE MANDACARU - SERGIPE
GRAU DE DIFICULDADE:
Médio
TEMPO DE PREPARO:
1 hora e 30 minutos
RENDIMENTO:
de quatro a seis porções
CHEF:
Timóteo Domingos
REGIÃO:
Sergipe
TIPO DE PRATO:
torta
ingredientes

500 gramas de mandacaru sem a pele e sem os espinhos
4 colheres de sopa de manteiga de garrafa
¾ de xícara de chá de goma de tapioca
½ xícara de chá de açúcar refinado
1 xícara de chá de coco ralado
½ xícara de chá de leite
1 xícara de chá de polpa de umbu
1 xícara de café de creme de palma
½ xícara de chá de leite condensado
2 colheres de sopa de manteiga de garrafa
Sal a gosto
Canela a gosto

modo de preparo

1 Bata o mandacaru no liquidificador com o mínimo de água possível e reserve;
2 Misture o açúcar com a manteiga de garrafa e mexa muito bem;
3 Junte a mistura de açúcar e manteiga, a goma de tapioca e o mandacaru batido;
4 Em seguida, acrescente o leite, uma pitada de sal, o coco ralado e a canela a gosto. Caso queira, pode colocar cravo-da-índia também. Misture muito bem;
5 Asse a mistura em forno pré-aquecido em potência média por cerca de uma hora, ou até perceber que as bordas ficaram da cor marrom;
6 Em uma panela aquecida, coloque a manteiga de garrafa, acrescente o leite condensado e mexa por três minutos;
7 Acrescente o umbu e misture bem, até adquirir uma consistência de brigadeiro;
8 Desligue o fogo, acrescente uma pitada de sal e o creme de palma;
9 Espere esfriar, despeje sobre a torta, e polvilhe canela. Sirva em seguida.

Dicas

• O mandacaru e a palma são espécies de cactos comuns no sertão e muito nutritivas. Provavelmente você terá um pouco de dificuldade para encontrá-los nos supermercados, mas pode procurá-los em floriculturas
• Caso não encontre o creme de palma pronto, repita o processo feito com o mandacaru: retire os espinhos e bata com o mínimo de água possível
• O mesmo serve para o umbu: caso não encontre a polpa, mas tenha a fruta, é só batê-la no liquidificador

História

Cactos viram pratos como bolos, tortas e mousses nas mãos de cozinheiro sergipano

É na caatinga de Canindé de São Francisco, no interior de Sergipe, que o cozinheiro Timóteo Domingos, 20, vai buscar seus ingredientes. Entre as diferentes espécies de cactos –cabeça de frade, mandacaru, xique-xique, palma e facheiro– ele garimpa a matéria-prima para suas receitas.

Usar as plantas na cozinha, conta Domingos, não era coisa comum na culinária local. “Os cactos sempre serviram para alimentar o gado e não as pessoas.” Familiarizado com as plantas desde criança, ele um dia experimentou colocar cactos numa cocada. Deu certo.

Desde então foram bolos, tortas, musses, pudins, salgados e pizzas. Hoje, ele tem mais de cem receitas com cacto em seu repertório. O ingrediente tem sabor neutro e pega o sabor dos temperos que vão no prato. “Tem gente que fala que parece chuchu, mas acho melhor.”

Cada espécie de cacto tem características diferentes, que Domingos bem conhece e descreve. O facheiro, por exemplo, lembra o xique-xique, mas o primeiro cria galhos para cima e o segundo, para os lados. Já o cabeça de frade é mais raro, só nasce em pedras. A palma é mais usada para fazer sabonetes, mas seu miolo vai bem na cozinha.

Sua maior dificuldade na hora de incorporar essas diferentes espécies em seus pratos “foi quebrar o preconceito das pessoas que sempre acharam que cactos eram comida de gado”. “Mas quem provava, gostava.”
Para ele, é importante mostrar para as pessoas que há riqueza ali na região. “Ninguém nunca ligou para a caatinga. Por isso gosto de usar tudo que nela dá. É um bioma que deveria ser mais valorizado”, diz.

“O problema maior foi quebrar o preconceito das pessoas que sempre acharam que cactos era comida de gado. Mas quem provava, gostava”

galeria de fotos

Paisagem da caatinga. foto Rusty Marcellini

Timóteo Domingos corta um xique-xique. foto Rusty Marcellini

Timóteo Domingos em frente ao umbuzeiro. foto Rusty Marcellini

Timóteo Domingos limpa os cactos. foto Rusty Marcellini

Timóteo recolhe folhas de umbu. foto Rusty Marcellini

Xique-xique. foto Rusty Marcellini

Cacto cabeça de frade no cesto do cozinheiro Timóteo Domingos. foto Rusty Marcellini

Cacto palma. foto Rusty Marcellini

Detalhe de um mandacaru cortado. foto Rusty Marcellini

Tortas de cactos. foto Rusty Marcellini